Publicado por: profpardal | Fevereiro 6, 2009

Ser bom professor não compensa…

Costumo dizer que sou professora por vocação. Antes de ingressar no ensino público, trabalhei em várias empresas do sector privado na área do e-learning.

Confesso que este modelo de ensino me deixou um bichinho.

Quando arranjei colocação fiquei muito feliz.

Desde o meu primeiro dia que me esforcei ao máximo. Tentei sempre dar o meu melhor. Ajudar os meus alunos, incentivá-los a estudar, participar em todas as actividades previstas, etc, etc.

No ano passado foi o ano em que mais me esforcei. Uma vez que estava a trabalhar com as novas oportunidades, dava aulas todos os dias da semana, ficando apenas com o domingo para descansar. Das 100h por turma que deveria dar, cheguei ao final do ano com cerca de 140h.

No final do ano fui avaliada. Merecia o excelente, mas a escola para não “arranjar” problemas, deu-me o Mto Bom. Assinei tudo o que tinha para assinar e senti-me bem. Afinal o meu esforço e trabalho foi reconhecido.

Uns tempos mais tarde, recebi uma carta da escola a informar-me que teria de me dirigir lá, pois  a minha avaliação foi mudada. A DREN rejeitou a minha nota ( e a de alguns colegas), baseada num decreto lei (que não vinha mencionado) na carta.

Conclusão: Baixaram-me a nota para Bom.

 

Pergunto-me se valerá a pena dar o litro, fazer kms e kms por dia, sacrificar a família, trabalhar horas a fio.

 

Sei que com este modelo de avaliação a grande maioria das pessoas não atingirá a nota merecida.

No entanto, vou fazer um esforço para  me dedicar aos meus aluno. Afinal é por eles e para eles que eu trabalho.

 

Que se lixe a nota!

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Responses

  1. Acredite que isso acontece tanto ao nível do secundário como ao nível do superior… actualmente o professor se não tiver paixão por aquilo que faz “está feito ao bife”, as cunhas estão acima de tudo e todos nalgumas escolas secundárias e superiores.
    Parabéns pelo blog!
    Sofia Mendes

  2. É isso que sinto. Trabalhar para a nota não compensa porque esta não é dada consoante o teu valor, está dependente de quotas, de decretos, de politiquices.

    Trabalhemos em função dos alunos, para eles e por eles. Que se lixe o resto!

  3. Pena que tenha tido que sentir na pele a farsa que é tudo isto.
    O estabelecer de quotas define à partida o que se pretende. É um faz de conta que visa apenas poupar uns cobres.
    Mas podiam ter feito outras manobras para retardar progressões sem causar tanto dano às pessoas e às escolas. E a coisa podia ter sido clara – escusavam de ter vindo com a treta da excelência que não era de todo o que buscavam.

  4. É por eles, que vale a pena, na realidade. Ainda que saiba bem e seja merecido o reconhecimento institucional. Mas nem sempre a justiça se cumpre em todas as dimensões… Força!

  5. Um aluno de 13 anos, que cursa a 4ª série em uma escola do Espírito Santo, agrediu um professor durante uma aula de Matemática com cadeira, socos e chutes por causa de uma bolinha de papel. O garoto também o ameaçou de morte. Alunos choraram de medo.

  6. Hoje vemos coisas que jamais se poderia imaginar há 20 anos atrás: professores sendo agredidos por alunos e pais. Na minha época de estudante, quando o professor ou diretor entrava na classe, os alunos se levantavam como forma respeito de mas agora tudo mudou para pior. Se um aluno agride física e moralmente um professor, o máximo que pode acontecer é ele receber uma advertência.
    Você quer saber a causa? Falta de estrutura familiar e principalmente falta de disciplina e educação, coisa que infelizmente falta às nossas crianças. É o chamado tudo pode por se tratar de uma criança.

  7. Nos exames do ENEM, as escolas que obtêm as melhores notas, são as escolas tradicionais que mantêm uma política de austeridade e que o aluno está lá para aprender e não para trazer vícios adquiridos na rua. As melhores são ligadas a instituições religiosas onde impera a disciplina, bom comportamento, bons modos e respeito pelos mestres. Escola é lugar para aprender.

  8. As crianças chegam às escolas, oriundas de famílias desestruturadas, moralmente, financeiramente e sem nenhuma referência positiva; não tem como ser diferente. Levam para dentro da sala de aula, todos os vícios trazidos de casa e da rua. Existe solução? Penso que sim.

  9. Valorizar mais o professor e quando houvesse algum desentendimento não achar, como acontece, que o professor tem que tolerar tudo e que o aluno sempre está certo.Ensino religioso, obrigatório desde a educação infantil, seja qual for a religião. Segundo estudos, a religião é muito importante para a felicidade dos jovens. O jovem quando está feliz, está em equilíbrio. É muito difícil você ver um jovem delinqüente, que tenha recebido e que pratique algum tipo de religião.

  10. Amanda,

    Concordo plenamente!


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